
O amor existiu. Sem dúvida alguma. Não era o mais puro, não era o mais verdadeiro. Foi construído, fabricado, sofrido, mas existia e naquela casa residia. Lutou-se como se pôde, baixaram-se os braços quando já não era possível aguentar mais carga.
Ela entrou naquele duo para sentir-se amada por alguém. E acabou por sê-lo. Amada. Mas apenas por ela própria. E no fundo, isso é uma conquista que ela nunca poderá perder. E que ele nunca poderá retirar-lhe.
Nada na vida é eterno. E não podemos lutar sozinhos para que o seja. Não podemos lutar por uma pessoa contra a própria pessoa.
Ela não acreditava que isso pudesse realmente acontecer, mas o amor acaba. Um dia, acorda-se e já não está na nossa casa, na nossa cama ou na nossa cabeça. Nem no coração.
Vemos que somos mais felizes, melhores, mais tudo-o-que-há-de-bom quando estamos sozinhos. Quando estamos sozinhas ou pelo menos, quando não estamos mal acompanhadas.
Esta sexta-feira e este sábado vão ser os mais difíceis da sua vida. Não da sua vida inteira, mas pelo menos, da sua vida em Jampa. Porque algo vai ser embalado, desmontado e posto fora da sua vida. Da sua casa. Algo(s) de um leito. Um mal mais do que necessário. Que apenas poderá ajudá-la crescer. Ainda mais.
E domingo vai ser dia de voltar a sorrir. E de recomeçar a aproveitar. De comprar Häagen-Dazs. De fazer pinturas. De falar das coisas boas da vida com as amigas não muito longe da Praia.

